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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Outro João!



Gente, é engraçado como nos desapercebemos das coisas e pessoas nesse corre,  corre da vida. Tem um trecho do livro “Memórias da Emília de Monteiro Lobato”, que a Emília definindo a vida diz: A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais. [...] A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim pisca pela última vez e morre. - E depois que morre? - perguntou o Visconde. - Depois que morre, vira hipótese. É ou não é? Então pensando nisso lembro das pessoas que nos antecederam na grande viagem e se tornaram hipóteses. Neste sentido, gostaria de relembrar e homenagear o professor João Bosco de Lima que a cinco anos retornou a pátria espiritual.
A você que caminha com o tempo...
Por onde anda João Bosco? O Bosco que tantas vezes caminhou pelas ruas da cidade, cabisbaixo, aparentando às vezes apatia ou  displicência, mas que levava consigo sempre uma frase  irreverente, uma idéia na mente e um sorriso escancarado para dividir com alguém?  Por onde anda o Bosquinho Professor? O artista de idéias mirabolantes? O carnavalesco criativo e de fantasias bem humoradas? Por onde anda o ser, que muitas vezes intercedia anonimamente pelos amigos ou mesmo por quem nem o tinha nesta esfera? Quem vai nos cumprimentar com um ar irônico, engraçado e ao mesmo tempo gentil e fiel: “Ooolááá...”,  “queeeriiido”?  Quem dará uma opinião extrapolada ou um conclusivo “arraaasooou!”?
Na vida de João, seu caminhar solitário, desapercebido e sem pressa era um paradoxo a tanto carisma, amizade, e planos. Parecia que o tempo não lhe perturbava. E não lhe perturbava mesmo! Pois, numa manhã fagueira de domingo, um desses dias de pachorra, ele partiu sem avisar, tomando a todos de súbito.
Partiu para aliar-se ao tempo, caminhando com ele até o encontro do seu destino eterno, que  Deus lhe preparou desde sempre. Ele partiu assim: sem alarde, sem arroubos, sem choros desenfreados...mas se foi, deixando um rastro de benevolência e saudade.
Agora João Bosco de Lima, o João ou o Bosquinho, com certeza é mais um facho de luz que avança na eternidade. “É aquele que caminha com o tempo.”
          

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